Alemanha quer proibir comércio e criação de games violentos

Escrito por Rodrigo Flausino em 07/06/2009

-->



Saiu uma notícia no Eurogamer que me deixou um tanto chateado: segundo eles, a Alemanha continua com a sua cruzada contra games violentos e eles querem proibir de vez a comercialização e a criação de jogos, em virtude dos acontecimentos recentes envolvendo violência lá, como “massacre cometido em Winnenden no passado mês de Março por um jovem de 17 anos” (segundo o site). Mais infos:

Alemanha quer proibir totalmente os jogos violentos

Tá, mas o que isso tem a ver com gamedev? Simples: estou vendo um retrocesso na parte de desenvolvimento. Proibir a criação significa gastos pras empresas internas migrarem para outros países e encolhimento do mercado interno. E também sou contra a proibição, já que quem deve proibir os jogos são os pais, e não algum órgão governamental que dite o que é melhor para os nossos filhos (ok, eu não tenho nenhum filho ainda, mas eu pensaria assim).

E pensar que isso está acontecendo com um país de primeiro mundo, na Europa, onde a gente sempre associa os países ricos a liberdades e facilidades que a gente normalmente não tem. Aqui tem políticos proibindo games a bel-prazer sem nem analisar o jogo direito (coisa que nunca vi acontecer em outros países de primeiro mundo antes da Alemanha), temos impostos enormes que mesmo que a gente reclame nada acontece (já que no exterior jogo é barato e incidem poucos impostos), e fico com medo de uma ação dessa vir aqui pro país. Será que uma Ubisoft abriria uma filial aqui no Brasil se proibisse a criação de games mais violentos (como um Splinter Cell ou um Assassins Creed)? Será que a gente (como um desenvolvedor indie ou dono de uma empresa de gamedev) teria de fazer as coisas na surdina e apenas lançar no exterior, e esquecer de vez o Brasil? Será que a gente teria de criar apenas games bonitinhos pra conseguir vencer, sendo que o que realmente vende mais nos consoles são games potencialmente violentos? Perguntas complicadas que eu espero não fazer caso isso aconteça.


Possíveis posts relacionados:


  1. Itaú Cultural promove concurso de criação de games neste final de semana
  2. Senac de São Paulo fará concurso de criação de games
  3. Veja um vídeo da CryEngine 3 e veja um novo patamar de criação de gráficos next-gen
  4. Profissionais da indústria nacional dão dicas a quem quer trabalhar na área
  5. Vídeo mostra um pouco da criação de efeitos sonoros em Final Fantasy XIII

Indústria

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

  1. June 8th, 2009 at 12:02 | #1

    Na verdade, isso já aconteceu sim. Com o game Rule of Rose, que aliás eu peguei pensando que seria um bom horror com criancinhas, mas não tem nada de mais .-. (e ainda por cima, o gameplay é péssimo).

    Sobre a censura, eu acho que qualquer forma é idiota. Acho que as pessoas não aprenderam ainda a diferença entre realidade e ficção, as pessoas continuam achando que jogos/filmes/whatever matam/torturam/whatever pessoas, quando na verdade, pessoas matam pessoas. Se quiséssemos realmente um mundo bonitinho e sem violência, basta que todas as pessoas se tranquem em seu quarto e virem vegetais, tenho certeza que desse jeito o mundo se tornaria um lugar melhor para viver =P

    Além disso, segundo a declaração de direitos humanos todas as pessoas são livres para fazer o que quiserem, contanto que não interfiram nos direitos dos outros. E eu realmente não vejo aonde assistir um filme, jogar um game, ler um livro, insira-outra-coisa-aqui interfere no direito dos outros. All the more, ninguém provou ainda uma relação direta entre mais jogos violentos = mais mortes (nem qualquer outra relação entre ficção e realidade, já que elas são duas coisas distintas).

  1. No trackbacks yet.