Iniciando em Desenvolvimento de Jogos – Parte 02

Escrito por Rodrigo Flausino em 19/03/2008

-->



Algum tempo atrás tinha começado uma série de posts para iniciantes, com dicas de desenvolvimento de jogos. A partir desta segunda parte, os posts serão publicados aqui.

No primeiro texto falei sobre o problema dos iniciantes quererem começar logo de cima (com um game complexo) com pouca experiência, além de ter falado das dificuldades que os interessados terão em desenvolver o seu game. Agora vamos falar um pouco das áreas deste mundo que é o desenvolvimento de games.

Hoje a área de desenvolvimento de jogos é enorme. Temos muitas áreas técnicas e artísticas envolvidas, mas antes não era assim: antes era possível uma pessoa desenvolver um jogo de ponta. Mas temos de levar em consideração a época envolvida: a tecnologia ainda não estava muito avançada, além dos próprios games serem relativamente curtos, como o Space Invaders e Super Mario World.

invaders_world.jpg

Space Invaders (criado pelo Diego) e Super Mario World, do Super Nintendo.

OK, hoje um game com a complexidade do Mario pode demorar um bocado de tempo para ser desenvolvido, mas se você tiver tempo, pode conseguir desenvolver um desses em 6 meses (ou até antes, dependendo do tamanho do jogo). Alguns podem achar muito tempo, mas não é. 6 meses é pouco tempo.

Então a tecnologia foi melhorando e com isso mais variáveis entraram nesta equação. Uma delas se chama 3D:

tomb_raider_anniversary_01.jpg

Evolução da Lara Croft, comparando o primeiro Tomb Raider e a versão Anniversary.

A partir daqui os games começaram com uma evolução tremenda, onde a cada geração os gráficos foram melhorando. Mas até mesmo os games mais simples, como o primeiro Tomb Raider começaram a ter sinais de complexidade e começaram a exigir mais tempo de desenvolvimento. Afinal, você, se fosse fazer sozinho, teria de fazer os modelos dos personagens, os cenários, dar movimentos aos modelos, programar as colisões entre os modelos, a inteligência artificial, criar os menus e outros.

Ora, num game 2D também não passa por estas etapas? Com certeza, mas desenhar um mapa simples num game de plataforma é mais fácil do que modelar um cenário tridimensional. Mas também mesmo nos games mais simples começaram a exigir equipes de desenvolvimento, onde cada um cuidava de um pedaço do jogo. E cada membro é especialista em alguma coisa.

Tá, mas quais são as áreas? Antes de prosseguir, pare de ler este texto e reflita para si mesmo: eu sou bom no quê?

Qualquer pessoa hoje tem as suas qualidades e defeitos. Alguém pode não ir muito bem na escola, mas é ótimo em lábia e consegue sempre levar alguém na conversa (enganar a pessoa). Outros são mais fechados (como eu) e tímidos, mas são ótimos com matemática e lógica. Tem aqueles que, ao perceber que a aula está chata, começam a desenhar alguma coisa numa folha de caderno ou mesmo na própria carteira! Acredite: essas pessoas tem conhecimentos que podem ser usados em desenvolvimento de jogos!

Vamos de novo: você é bom no quê? É bom com contas? Sempre imagina situações imprevisíveis? Gosta de desenhar? Gosta de conversar muito com as pessoas?

Você deve ter descoberto que você gosta mais de alguma coisa. E se não encontrou, não se desespere: você vai encontrar! Se você encontrou, você pode tentar encaixar as suas melhores habilidades na área: se você gosta de desenhar, já pensou em ser um character/level design? Usar o seu talento para desenvolver personagens e/ou desenhar cenários mágicos e épicos? Se você é bom com conversa, pode ser um bom negociador para conseguir projetos ou mesmo liderar uma equipe sendo um game designer (game design é o planejamento completo de um jogo. Mais informações no artigo A importância do game design), conseguindo passar para os outros membros da equipe os detalhes daquele jogo. Se você gosta de contas matemáticas pode seguir na área de programação. E acredite: existem programação de tudo, desde de inteligência artificial até mesmo criação de scores (pontuações) e definição de contas num game de matemática! Quem sabe você pode criar um game educativo e conseguir ganhar um bom dinheiro vendendo o jogo em escolas particulares para auxiliar na aprendizagem de alunos!

São muitas áreas de desenvolvimento de jogos e na próxima parte desta série vamos falar das profissões, começando com as artísticas: game design, roteiros e arte digital, englobando a arte 2D (desenho) e modelagem 3D. Aguardem!

[Créditos das imagens: GameThink, DiesoftGames, IGN]


Possíveis posts relacionados:


  1. Material do curso Desenvolvimento de Jogos 2D com C# e XNA
  2. Inscrições abertas para a pós em Desenvolvimento de jogos na Unicsul
  3. Palestra de desenvolvimento de jogos em São Carlos (08/06/2009)
  4. Develop lista o Top 10 das engines para desenvolvimento de jogos
  5. Controladoria-Geral da União promove concurso de desenvolvimento de jogos

Artigos

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

  1. Rob
    September 4th, 2009 at 19:31 | #1

    Pessoal, tem um centro de treinamento / escola em Curitiba, a Elaborata Informática que possui um treinamento chamado Game Coder (http://www.gamecoder.com.br), lá eles ensinam a fazer jogos com Flash e jogos 3D com Blender 3D, bem legal, vale a pena conferir!

  1. March 19th, 2008 at 23:51 | #1
  2. March 26th, 2008 at 07:10 | #2